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Presidente guineense exonera chefe do Exército e nomeia para cargo chefe particular

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, exonerou esta sexta-feira o Chefe do Estado-Maior do Exército, Lassana Massaly, e nomeou para o cargo Horta Inta-a, escolhido há menos de um mês para Chefe Maior particular, segundo decretos presidenciais.

Em três decretos presidenciais publicados hoje fica estabelecido que o major-general Steve Lassana Massaly é exonerado do cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército e é nomeado Inspetor-Geral das Forças Armadas, cargo de que foi exonerado o contra-almirante Estevão Namena.

O cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército passa a ser ocupado por Horta Inta-a, que tinha sido nomeado, a 1 de setembro, um dia depois de ter sido exonerado pelo Governo das funções de comandante da Guarda Nacional, Chefe do Estado-Maior particular do Presidente.

Esta foi a primeira nomeação de um Chefe do Estado-Maior particular da Presidência na Guiné-Bissau, embora o cargo exista nos países africanos francófonos.

A presidência da República não adianta se o lugar vai ser novamente ocupado, nem esclarece as razões para as mudanças hoje determinadas nos decretos presidenciais.

Segundo várias fontes contactadas pela Lusa, o general Lassana Massaly, agora exonerado de Chefe do Estado-Maior do Exército, esteve presente nas comemorações dos 50 anos da independência da Guiné-Bissau, em Lugadjol, um ato que o Presidente da República desaprovou.

O evento realizado nas colinas do Boé, onde há 50 anos foi declarada a independência da Guiné-Bissau, foi promovido pela Assembleia Nacional Popular (ANP).

De acordo com as mesmas fontes, o general foi apresentado naquela cerimónia pelo presidente da ANP, Domingos Simões Pereira, como sendo o representante do Estado-Maior General das Forças Armadas.

As comemorações dos 50 anos da independência têm agitado a vida política guineense nos últimos dias, com um confronto entre o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e o presidente da Assembleia Nacional Popular e do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), Domingos Simões Pereira.

O Presidente da República considerou as comemorações promovidas pela Assembleia como uma manifestação de um partido, numa referência ao PAIGC, que lidera a coligação no Governo PAI- Terra Ranka.

Sissoco Embaló anunciou também a data das próximas eleições presidenciais para daqui a dois anos, em 24 de novembro de 2025 e afirmou que vai recandidatar-se, apresentando-se como vencedor à primeira volta.

Domingos Simões Pereira considerou "desenquadradas" as declarações do chefe de Estado.

"A referência feita pelo Presidente da República, de se tratar da manifestação de um partido político e de manobras para enganar o povo, foi inadequada e inaceitável, da mesma forma que as considerações que se seguiram tanto em relação à data das eleições como ao facto de já haver um vencedor antecipado e à primeira volta, são informações mal enquadradas e que Assembleia Nacional Popular não aceita", disse.

A bancada parlamentar do Movimento para a Alternância Democrática, Madem-G15, partido do Presidente da República, convocou uma conferência de imprensa para dizer que o presidente da Assembleia Nacional Popular não tem condições para se manter no cargo e exigiu ao chefe de Estado a dissolução do parlamento, sob a ameaça de mobilizar o povo.

O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil reagiu, em comunicado, à situação política considerando "grave" e "alheio aos interesses superiores" do país o confronto entre órgãos de soberania.

Estas organizações exortam "firmemente os titulares de órgãos de soberania no sentido de se absterem de comportamentos suscetíveis de por em causa a paz, a estabilidade governativa e a vontade popular inequivocamente expressa nas umas na sequência das últimas eleições legislativas" de 4 de junho.