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Kiev lembra à Hungria que as fronteiras ucranianas são as de 1991

A Ucrânia rejeitou hoje que possa haver qualquer dúvida sobre as fronteiras ucranianas, numa resposta ao primeiro-ministro húngaro, que pôs em causa a dimensão do país por ter territórios anexados pela Rússia.

Numa entrevista à rádio pública húngara, Viktor Orbán afirmou não saber qual a dimensão do território da Ucrânia para aceitar o país na União Europeia (UE).

"Informamos que a Ucrânia não alterou o seu território dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas", respondeu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Oleg Nikolenko, citado pela agência Ukrinform.

A Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014, a que juntou as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia em 30 de setembro do ano passado, sete meses depois de ter invadido o país vizinho.

O Presidente russo, Vladimir Putin, proclamou 30 de setembro como o Dia da Reunificação para celebrar as anexações.

Kiev e a generalidade da comunidade internacional não reconhecem a soberania russa nas cinco regiões anexadas, que correspondem a cerca de 20% do território da Ucrânia.

A Ucrânia exige a retirada da Rússia, incluindo da Crimeia, e a reposição das fronteiras reconhecidas internacionalmente em 1991, quando a antiga república soviética se tornou independente.

A Hungria, sob a liderança do ultranacionalista Viktor Orbán, é o único país da UE que mantém relações estreitas com Moscovo, apesar de ter acolhido refugiados ucranianos e condenado a invasão russa.

Budapeste também se tem oposto ao fornecimento de armas e à atribuição de ajuda económica a Kiev.

A Ucrânia obteve oficialmente o estatuto de candidato à UE em 2022, numa decisão invulgarmente rápida motivada pela invasão russa de 24 de fevereiro do ano passado.

O Conselho Europeu deverá iniciar as negociações sobre a adesão da Ucrânia em dezembro, o que obriga a uma decisão unânime dos 27 Estados-membros.

Na entrevista divulgada hoje, Orbán considerou irrealista lançar o processo com um país em guerra e sugeriu que o voto da Hungria não está garantido.

"Quando estou no hemiciclo, não sinto o desejo insuperável de que o parlamento húngaro vote a favor da adesão da Ucrânia à União Europeia dentro de dois anos", afirmou.

"Por isso, seria cauteloso com estes planos ambiciosos", disse o primeiro-ministro da Hungria, citado pela agência norte-americana AP.

Um dos argumentos usados por Orbán para justificar o ceticismo foi o da dimensão da Ucrânia, pondo em causa a soberania de Kiev nas regiões anexadas por Moscovo.

"Podemos iniciar negociações com um país que está em guerra territorial? Não sabemos qual é a dimensão do território desse país, porque ainda está em guerra, e não sabemos qual é a sua população, porque está a fugir", afirmou.

Para Orbán, "admitir [na UE] um país sem conhecer a sua dimensão seria algo sem precedentes".

A UE sancionou a Hungria por alegadas violações do Estado de direito e corrupção, mantendo congelada a entrega a Budapeste de 22 mil milhões de euros de fundos comunitários.