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Hospital de Santarém suspende cirurgias adicionais por indisponibilidade de médicos

Grande parte dos médicos do Serviço de Cirurgia Geral entregaram pedidos de escusa de realização de mais do que as 150 horas extraordinárias previstas por lei.

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Médicos por todo o país estão a recusar fazer mais horas extras Manuel Roberto (arquivo)

O Hospital de Santarém anunciou neste sábado a suspensão, a partir de segunda-feira, de cirurgias adicionais por parte de vários médicos da especialidade que recusam fazer mais do que as 150 horas extraordinárias previstas por lei.

Em comunicado, o conselho de administração do Hospital de Santarém justifica a medida com o pedido "realizado por vários médicos especialistas e internos de especialidade" que manifestaram a sua "indisponibilidade para prestarem todo e qualquer trabalho suplementar para além do limite máximo de 150 horas".

Face a esta recusa, "fica suspensa a actividade adicional cirúrgica a realizar pelos elementos que manifestaram esta indisponibilidade, a partir do dia 2 de Outubro e enquanto esta se mantiver".

O hospital ressalva, no comunicado, a excepção às cirurgias que à data já se encontrem agendadas, podendo "os tempos operatórios ser distribuídos por outras especialidades, consoante a lista de espera".

Questionado pela agência Lusa, o hospital precisou que o pedido de escusa de realização de mais de 150 horas extraordinárias "foi efectuado por 81% dos médicos do Serviço de Cirurgia Geral".

No que respeita à realização de cirurgias, "os cirurgiões continuarão a efectuar todas as cirurgias programadas no seu horário normal de trabalho", refere a instituição, numa resposta enviada por e-mail, explicando que "só se recorre à realização de actividade adicional quando existe lista de espera que o justifique, o que não é o caso da lista de espera cirúrgica da cirurgia geral do Hospital Distrital de Santarém (HDS), que tem a sua lista de espera controlada, pois desde Abril que recorreu ao sector privado e social para colaborar nesta recuperação".

Sendo que o Estado contratualiza anualmente com o sector convencionado que, sempre que os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) são ultrapassados, o doente é operado através de vale cirúrgico noutra instituição, no HDS "não se prevê aumento das listas de espera cirúrgicas", esclareceu a administração.

O Hospital Distrital de Santarém, EPE assegura a prestação de cuidados de saúde a uma população residente de cerca de 184,6 mil habitantes distribuídos pelos concelhos de Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém e Rio Maior, numa área de 3500 quilómetros quadrados.

Além da sua área de influência, também presta cuidados a populações de outros concelhos do distrito (Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei, Vila Nova da Barquinha, Gavião), num total de cerca de 233 mil habitantes, em especialidades como a Cirurgia Vascular, Dermatologia, Infecciologia, Psiquiatria e Radioterapia Oncológica.