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Dose dupla de teatro no Bairro Alto: conheça “Cinza” e “Por Motivo de Força Maior”

“Por Motivo de Força Maior” - peça de Teresa Silva cocriada e interpretada também por Sabine Macher e Margarida Bettencourt - e “Cinza” de Nicole Gomes são as mair recenes propostas para ver no Teatro do Bairro Alto

Há dose dupla no TBA: a nova criação de Teresa Silva, “Por Motivo de Força Maior” (na foto), peça cocriada e interpretada também por Sabine Macher e Margarida Bettencourt; e “Cinza” de Nicole Gomes, onde prossegue uma pesquisa que convoca as relações de tensão entre corpo, matéria e espaço. O universo da dança em que se move Teresa Silva desde 2008 é um território amplo. Há humor, mas também abordagens mais abstratas do movimento ou da relação do corpo com outras matérias, até esotéricas ou espirituais.

Também pode problematizar o mundo, convocando a natureza e outras formas de expressão ou expansão da entidade humana. Desta vez, trabalha em trio, num encontro intergeracional com mais duas mulheres da dança, com histórias e percursos muito distintos: Sabine Macher nasceu na Alemanha em 1955, Margarida Bettencourt na África do Sul em 1988 e Teresa Silva em Portugal em 1988. As três partilham um texto comum, de escrita especulativa. O ensaio “A Ficção como Cesta” de Ursula K. Le Guin surge como uma possibilidade de leitura do presente, seguindo “a hipótese de considerar a ficção como uma cesta”, como escreve Teresa Silva, para trabalhar a proposta de “um estremecimento, um intervalo metafórico e simbólico”. O que significa isto? A proposta cénica revelará os signos deste enigma, talvez não o resolvendo, mas abrindo hipóteses. Neste caso, aproxima-se mais da investigação feita em 2021 com Sara Anjo, na peça “Oráculo”, onde o dispositivo teatral servia de lugar especulativo, de acesso a outras dimensões de ser, sentir e ler o mundo. Nesse corpo como oráculo, havia mais espaço para a imaginação e o mistério do que uma concretização narrativa de respostas às questões colocadas. Nesta peça, é o feminino que toma o centro, na relação das artistas, mas também pela convocação de personagens ficcionais, figuras mitológicas e arquetípicas, que Teresa qualifica de “rebeldes e fabricadoras de tremor”.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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