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Américo Aguiar diz que é cedo para falar da preparação da JMJ mas assume "problemas"

Quase dois meses depois da Jornada Mundial da Juventude, o principal rosto da organização, bispo Américo Aguiar, diz que "ainda é preciso tempo" para falar sobre os momentos mais difíceis vividos na preparação do encontro mundial com o Papa.

"É preciso tempo, porque os mais difíceis envolvem sempre pessoas e eu acho que não é justo, porque posso estar a ver mal, posso estar ainda com calor e com a ferida e, portanto, acho que não é o tempo", diz Américo Aguiar, em entrevista conjunta à agência Lusa e agência Ecclesia.

Abertamente, para já, diz que houve "dificuldades, problemas", quer na Igreja, como na relação com instituições.

No entanto, faz questão, também, de contrapor com o entusiasmo que encontrou, nos dias da Jornada, nos muitos profissionais de diversas setores com os quais contactou.

"Eu gostava de dizer que, durante a Jornada, porque é sentido e foi verdade, eu estava preso naquela coisa do séquito, e não pude sair muito fora daquela 'prisão domiciliária'. Mas, à noite, dei umas escapadinhas e andei a ver e falei com polícias, falei com médicos e falei com os homens da higiene urbana, e ainda bem que o fiz. Estavam felizes. A ideia que eu tinha é de que havia um desconforto, porque tiveram de trabalhar, porque vieram não sei de onde. Não foi isso que eu encontrei. Foi [antes] alegria de participar, alegria de ser parte", garante.

E é isso que o futuro cardeal quer que os portugueses sintam: "que cada um sinta que fez uma coisinha pequenina e fez a Jornada".

"O sucesso da Jornada, a alegria com que vivemos este acontecimento único na vida de Portugal, dos portugueses, aconteceu graças ao polícia, ao bombeiro, ao homem da higiene urbana, ao anónimo. Foi graças ao empenho de todos e, por isso, dói-me e magoa-me, quando lá vem a crítica fácil, lá vem o populismo, lá vem a rafeirada, lá vem não sei o quê estragar uma coisa que foi feita com tanto carinho, com tanta entrega, com tanto sacrifício por todos os portugueses", acrescenta o presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023.

Quanto às polémicas que surgiram nos últimos meses, desde logo com os custos da organização, nomeadamente o altar-palco do Parque Tejo, Américo Aguiar diz que "gostaria que algumas não tivessem acontecido, mas aconteceram".

"O único culpado sou eu, na minha limitação de não ter conseguido explicar, não ter conseguido fazer entender. Tenho plena consciência disso, mas, quanto mais tempo passa, também acredito que Portugal e os portugueses, não digo que vão relativizar, mas vão porventura entendendo a dimensão da coisa", afirma.

"E isso foi o meu grande calcanhar de Aquiles, foi [o não conseguir] transmitir a dimensão da coisa e a dimensão da coisa também significou a dimensão de tudo o que envolveu a Jornada Mundial da Juventude, seja dos participantes seja dos custos, seja dos gastos, seja dos tempos, tudo, tudo foi muito, tudo foi muita alegria, tudo foi muito bom e também tudo foi muito custo e muito empenho, muita dedicação e muitos problemas", acrescenta.

Tendo anunciado já que as contas finais da semana da JMJ serão apresentadas em breve e que o encontro mundial deu lucro, coloca-se agora a questão de saber se a Fundação JMJ Lisboa 2023 vai ser extinta ou continuará a funcionar.

"Inicialmente, quando começámos o caminho, o objetivo era que a Fundação, após cumprimento dos prazos legais das suas obrigações fiscais, pudesse ser extinta, porque extinguiu-se o objetivo fundamental. Isso vai depender da leitura que o senhor patriarca Rui Valério fará da realidade", afirma Américo Aguiar.

Para o bispo, o novo patriarca "pode entender, porque também não é descabido, que a fundação se possa manter, até para (...) dar seguimento a coisas que podem acontecer no país ligadas à juventude, sempre como legado, como herança daquilo que foi a Jornada Mundial da Juventude 2023".