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A “troika” laranja da mentira

Nas eleições do passado domingo, os madeirenses demonstraram que não queriam o PSD e o CDS a governar a nossa Região e, por isso, retiraram a maioria absoluta a estes partidos.

É preciso lembrar, para que não passe despercebido, que o PSD, desta vez, não foi a eleições sozinho, num frente a frente com o PS. Pela primeira vez na história da nossa Autonomia, o PSD viu-se obrigado a apresentar-se a eleições coligado. Mas, nem a soma da coligação foi suficiente para atingir a maioria absoluta, o que evidencia um regime caduco e que já não convence os madeirenses.

Além dessa junção de partidos, o Governo Regional nunca deixou de fazer campanha eleitoral de forma aberta e sem qualquer vergonha, com desígnios político-partidários, transformando inaugurações diárias em visitas, pagando subsídios, complementos e aumentos nos últimos dias de campanha que já deveriam ter sido pagos há anos, promovendo jantares, almoços e passeios com os profissionais dos diversos setores públicos, fazendo falsas promessas para resolver problemas que não resolveram em quatro anos, entre outros tantos atos públicos que se transformavam em campanha eleitoral, pouco disfarçada, numa clara violação dos deveres de neutralidade e imparcialidade.

Como é fácil de se perceber, a diferença de meios, de recursos e de espaços de divulgação da mensagem política utilizados pelos partidos do poder foi desproporcional. E, mesmo assim, falharam, porque não foram capazes de atingir a maioria absoluta.

Durante a campanha, no contacto direto com as populações, o sentimento de mudança, de cansaço de um poder de faz-de-conta, e, em muitos momentos, de revolta contra as políticas de um Governo Regional que não foi capaz de resolver os problemas da saúde, dos salários baixos, da emigração dos jovens e qualificados, da falta de habitação e da recusa em baixar impostos eram frequentes. E isso viu-se nas urnas, porque, volto a afirmar, os madeirenses demonstraram que não queriam o PSD e o CDS a governar a Madeira.

É verdade que não atingimos os nossos objetivos, não tendo conseguido levar o eleitorado a concentrar os votos no PS, o partido que apresentava o líder mais capaz, as melhores soluções e as melhores propostas para governar a Região.

Torna-se necessário refletir sobre os resultados do PS, perceber o que poderia ter sido feito diferente, repensar as estratégias, redefinir caminhos, avaliar todo o trabalho efetuado e corrigir o que tiver de ser corrigido para enfrentarmos as próximas lutas eleitorais no mesmo patamar e dimensão de alternativa credível à governação da Região.

Não vamos desistir. Não só cumpriremos a nossa função de oposição firme e interventiva na fiscalização da atividade deste Governo, constituído agora por uma “troika” pintada com as cores da mentira, como continuaremos a nossa missão de partido de alternativa à governação da Região.

Vamos fazer combate político a esta “troika” laranja, insistindo na denúncia das suas contradições, falsas promessas, teorias negacionistas da realidade vivida dentro das casas dos madeirenses, erros estratégicos, inexistência de soluções para os grandes problemas da Região, ao mesmo tempo que vamos insistir na defesa das nossas propostas, ideias e medidas políticas tendentes à implementação de um outro modelo de desenvolvimento, sustentável e que não deixará ninguém para trás.