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A PSP já tem nova Direção Nacional

Com o Outono acabado de chegar e não fossem os adversos acontecimentos que estamos a viver, como o pouco rendimento disponível que engloba inflação, custo de vida, baixos salários, habitação, economia, os impostos e, em especial, as taxas de juro, este ano teria sido pródigo em boas notícias para os profissionais da PSP - seja pelos recentes concursos internos de promoção nas três categorias profissionais na PSP, pelo êxito nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) ou então pelos brilhantes resultados das atividades operacionais, fruto do profissionalismo e no amor à camisola por parte dos Polícias, nos permite acreditar que chegámos a um momento chave em que alguns problemas podem ser reconsiderados.

Mas uma boa nova talvez tenha escapado à maioria dos cidadãos - a tomada de posse de um novo Diretor Nacional, o Superintendente-chefe José Augusto Barros Correia, escolhido para o cargo, para o triénio 2023-2026, substituindo o Superintendente-chefe Manuel Magina da Silva, que pediu a demissão do cargo, aceite pelo Governo, cessou funções, sem que sejam conhecidos os motivos.

A equipa da direção é ainda composta pelos Superintendentes-chefes, como Diretores Nacionais Adjuntos: Paulo Manuel Pereira Lucas, que volta de novo a ser o número dois da PSP, José Carlos Bastos Leitão, para a Logística e Finanças e ainda, Jorge de Almeida Pereira, para as funções de Inspetor Nacional. Deixo de propósito para o final, a nomeação da primeira mulher oficial de polícia, para os Recursos Humanos, Paula Cristina da Graça Peneda.

Sem desconsiderar as particularidades que envolve esta última escolha, não é equivocado afirmar que a nomeação de uma mulher, é um marco importante na história da Polícia e será um passo importante na promoção da igualdade de género e na demonstração de que as mulheres podem ocupar cargos de liderança em instituições tradicionalmente dominadas por homens. Isso servirá como um exemplo inspirador para outras mulheres que desejam seguir a carreira policial e na mudança cultural que isso pode desencadear.

É verdade que as coisas são difíceis; é verdade que a PSP atravessa algumas dificuldades no recrutamento e ao consequente baixo número de candidatos aos concursos, aos pedidos de saída dos que ainda pertencem à Instituição, que já é preocupante. É chegada a hora de não nos perdermos na retórica e propor medidas concretas à nova direção nacional que ajudem a mudar o estado das coisas e venha resolver os problemas que assolam a Instituição e que afetam os profissionais da PSP.

É verdade que, nos últimos anos, a PSP tem granjeado prestígio internacional. Veja-se os resultados da PSP e do país nas JMJ. Perfeito. Mas cada sucesso alcançado configura-se quase sempre como um caso isolado, uma solitária e dolorosa travessia no deserto em que cada um puxa lentamente para seu lado. E num país em que muitas coisas estão por fazer e no qual a crítica não-construtiva é passatempo nacional, penso que, enquanto cidadão e profissional do sector, devo tomar a iniciativa - talvez ingénua - de propor um conjunto de medidas que, salvo melhor opinião, poderão ser benéficas para o futuro da nossa Polícia.

Por isso, é necessário “arrumar a casa”. Refiro-me ao funcionamento da própria Polícia e à necessidade absoluta em concentrar as atenções nas questões organizacionais internas, como na gestão de recursos humanos, orçamento, logística, porque são estes o nossos “calcanhares de Aquiles”. Aliás, há quem dentro da nossa instituição defenda que “se nós fôssemos tão bons a planear os nossos recursos humanos e a nossa logística, como somos a planear grandes eventos, éramos uma Polícia de exceção e de sublimidade”.

Termino com um desabafo e não sendo porta-voz da PSP, intuo que o que se espera desta e qualquer direção seja a adoção de medidas claras e que defenda junto da tutela as necessidades da nossa polícia e dos seus profissionais. Nesse sentido, acredito que, infelizmente, a nova direção vai confrontar-se com um efetivo exausto, desmotivado, envelhecido, uma Instituição com constantes constrangimentos operacionais, limitações orçamentais. E tantos outros exemplos da real situação em que se encontra a maior e mais importante força de segurança em Portugal, a PSP.